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1º encontro: 22/08/2026

Será enviado o link do Zoom através do whatsapp e e-mail para o acesso ao Seminário.

CONTEÚDO ABERTO

O sujeito já interpretado

A propósito do Seminário Clínico

Vídeo aberto a todos • Acesso livre
Data publicação: 24/08/26

Leia agora a entrevista sobre formação e instituição psicanalítica no site Cosmopolita (agradecimentos a Carolina Manente e IPEP)

Conteúdo para assinantes - vídeos e podcasts.

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maria teresa guimarães de lemos

Prezado assinante, 

Para quem não me conhece, devo dizer que já fui uma lacaniana de carterinha carimbada. E como fui!

Li os seminários, fiz cartel, desfiz cartel, participei durante anos num grupo de trabalho sobre o passe, trabalhei – junto com meus colegas – nas diferentes funções que uma escola de psicanálise exige: secretaria, biblioteca, direção, publicações etc e tal.

Fui ainda agraciada de ter encontrado um analista não-branco e não-paulista, mestre das surpresas do tempo lógico, com quem me analisei por duas décadas e me livrei de graves inibições. Depois de ter aprendido na própria carne as coordenadas do bom corte, aquele que libera o sujeito das garras do supereu, nunca mais esqueci o caminho. A sorte faz parte da formação do analista.

Também frequentei a universidade, fiz mestrado, doutorado e pós doutorado. Aproveitei o que a intelectualidade tem de melhor: o amor ao autor. Um dia uma jovem colega me perguntou ironicamente de onde eu tirava as coisas que dizia. Só aí entendi que não era o lugar para mim.

Depois de ter lido o Seminario 23, O sinthoma, decidi por conta própria parar de ler Lacan e dedicar minha leitura aos psicanalistas que deixei para depois. A análise pode e deve ser interminável mas o tempo não é. Continuo assim a mesma lacaniana de antes, só joguei fora a carterinha.

bem vindos!

Campinas, 08/08/2025

Cortes Grupo Clínico

o espelho e a libido (30/05/2026)

o analista mediano (30/05/2026)

Em seu seminário da Ética, Lacan afirma que existe não apenas uma mas duas pedras no meio do caminho. 

Uma delas é a barreira do bem. O bem que faz obstáculo ao desejo é sempre em última instância o bem do próximo.

Graças a sermos seres nascidos do espelho, o bem do próximo representa o nosso próprio bem, logo não podemos eliminar o outro sem eliminarmos a nós mesmo. A não ser que você seja um psychopath. Se neurótico, será devorado pela culpa.

A barreira do belo é mais complexa porque a beleza não está no espelho. Está no tempo. Freud falou de transitoriedade, Vinicius do eterno enquanto dure. 

Se diante da beleza o neurótico treme é porque o belo é a antesala do indizível. Lacan roubou de Bataille a teoria do belo para dizer dessa barreira final que faz o desejo recuar ou atravessar, como Antígona, em direção ao Aqueronte para escrever um não que perdure. Contra tudo e contra todos, o Dizer. 

É só na moral da criança que o bom e o belo, o feio e o mau, são parceiros. A binariedade vem da criança do espelho, centrada - como mostrou Piaget - em seu egocentrismo. A ética não exige apenas contar até três mas entender que é do zero que somos o freguês. 

#psicanálise

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o bom narcisismo

a gata gosta de caber na caixa
o bebê no colo da mãe
não é pertencimento
é abraço
ser querido é condição

#psicanálise

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A semana dos nossos pacientes depende, em grande parte, do nosso domingo. Precisamos de tempo para não-pensar, deixar só o inconsciente ligado. O corpo deve reinar de vez em quando. 

O inconsciente vive ligado, por isso sonhamos. Mas o princípio do prazer, hoje renomeado neuroplasticidade ou autoregulação, precisa do descanso. O Eu já não sabe mais quê defesa usar. 

O princípio do prazer-desprazer é regido pela lógica fálica, estímulo-resposta-depression. Na lógica fálica quando o desejo é satisfeito vem logo a depressão. Antigamente era a culpa. Para o sistema fálico, dá na mesmo. Aqueles que atribuem isso ao gênero masculino não entendem o jogo, preferem perdê-lo. 

Na atual conjuntura desse já tão desafinado Brasil, o bom é ter um domingo de paz, tirando a poeira da casa, olhando os gatos pela janela e se preparando físicamente. A novela não acabou e ninguém sabe o fim. 

Bom domingo para quem não tem paz! 

#poesiapsicanalítica

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49 6
Perguntei à inteligência artificial se existia alguma diferença entre o cérebro masculino e o feminino. 

Como eu já supunha: não muita. E, como Lacan também já disse, as diferenças não são complementares. 

E não poderiam mesmo ser. A diferença sexual não é a diferença de sexo mas é o próprio sexo. 

Para Freud aquilo que chamamos de sexo é a maneira pela qual queremos acabar com essa diferença sexual e chegar ao nirvana. Ou seja, zerar a excitação. 

Através do sexo o sujeito abocanha um pedaço do sexo do Outro e, ao mesmo tempo, precisa dar ao outro o pedaço que ele quer. A troca é justa. Já no amor o mesmo não pode ser dito. 

Qualquer que seja o sexo será sempre o do Outro a conhecer. 

#psicanálise

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18 1
lendo Colete Soler, "O Outro Narciso"

o analista escreve
para ficar mudo
o inconsciente é que sabe falar

um lê o outro vestindo um escudo
a espada de Freud
os impede de guerrear

na psicanálise
letra é ouro, símbolo é jade
o silêncio objeto-a

#psicanálise

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Breaking Bad

Nem o tempo nos ama, só nos castiga. Os sem-perdão?

Dizem que o Outro não existe, não posso desmentir. Mas sua Ira existe, é divina, Deus-trovão. Acaba com tudo em dois segundos, alguns mil anos para a recuperação. 

A verdadeira ira não é a dos banqueiros, enraivecidos com as falhas da sua francamente louca onipotência ou dos bem intencionados em profunda depressão. 

A mais sublime das iras é aquela cultivada pelo inocente que assistiu tudo e aprendeu que o jogo da vida é mortal. Trabalhará sua ira, aperfeiçoará o ódio, se tornará o mestre do assombrar. E é assim que, vivendo na sombra do dinheiro, os excluídos do puteiro nascem para o mal.

#psicanálise

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A vida é assim, sobe, desce, estica, puxa, arde e ninguém assopra. Na hora H cadê o tu? Cadê a ação específica, cadê a Resposta? Cadê o pai, a mãe, cadê a apólice de seguro?

O Outro, dizem os lacanianos instagramáticos, nem existe e o amor é um grande engôdo. Com seu nihilsmo metódico parecem estar fazendo o marketing do fim do mundo. Como se fosse preciso mais. 

Sempre que posso digo aos jovens: não os ouça e, principalmente, não lhes dê dinheiro. Os analistas só valem o que pesam no setting analítico, quando sabem fazer você se escutar e não te deixam ficar perdendo tempo na vida. Analista é treinado em ser chato, interessado no que ninguém está olhando e pronto para dizer algo inconveniente ao principio do prazer. Segui-los é decepcionante. 

No mundo hoje instagramático, o saber analítico não pode subsistir. Depende de um vínculo, de um espaço privado, a dois, eterno enquanto dure. Transferido às telas é um simulacro, uma ficção. Isso sim um verdadeiro engôdo. Já o amor só é engôdo no começo depois é decisão, luxo de dizer sim.

#psicanálise

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Ó Melanie Klein! onde estás que não respondes ao incautos e perdidos?

Hoje a grande pergunta é o que mais mata. Como se não soubessemos bem que é a inveja. Lacan preferiu chamar de invídia e ressaltar sua raiz no campo escópico. 

Antes deles Freud havia dito que a inveja era do pênis  Foi e é espinafrado até hoje por isso. Mas não estava totalmente errado. Na verdade a inveja pode ser qualquer coisa desde que faça brilhar os olhos do Outro. Como na época de Freud o que fazia os olhos da Mãe brilharem era o filho homem logo pareceu que a inveja era do pênis. Desde que a civilização é civilização, o pênis é o grande culpado. 

Mas como podemos ter inveja se o Outro, o Grande, não existe? De fato, o Grande Outro não existe mas o brilho nos seus olhos sim. O objeto-a é o único que objet(a) à existência do Outro do Outro, é a prova da abençoada incompletude que nos permite continuar a respirar. 

Se em 2026, a pulsão escópica comanda os jogos mortais e estrangula a boa regulação do narcisismo do Eu, reduzido à função de mirada, então a  inveja mata sim. Aliás, é o que mais mata. Certíssima estava Klein. 

#politicadapsicanálise
#psicanálise

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